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Quer pescar um recorde? Compre uma Rapala !

Para aqueles pescadores que sempre sonharam em escrever seus nomes no Hall da Fama da Pesca Esportiva, nada melhor do que conhecer os meandros da IGFA, ou melhor, International Game Fish Association. Traduzindo, Associação Internacional de Pesca Esportiva.
Trata-se da maior ONG de pesca do planeta com quase 30 mil membros ao redor do mundo. É ela que homologa os recordes mundiais de pesca mundo afora. Esses recordes só podem ser aprovados quando o pescador usa varas com molinetes ou carretilhas. Não vale nenhum outro tipo de pesca como linhada de mão, arpão, malhadeira, etc.

E o que a Rapala tem a ver com isso? Muito simples, a Rapala é simplesmente a marca de iscas artificiais que mais detém recordes no mundo.

Só para se ter uma idéia, em 2009 a IGFA homenageou a empresa pelos seguintes feitos:

  • 1º lugar em capturas com suas iscas artificiais: 29 recordes do mundo capturados e registrados no ano.
  • 2º lugar para balanças: 47 recordes do mundo medidos em balanças Rapala.
  • 3º lugar para linhas: 10 recordes do mundo capturados com as linhas de pesca Sufix (fabricadas pela Rapala).

A nível mundial, a Rapala tem 840 recordes por capturas, sendo 550 atribuídos às diferentes iscas fabricadas pela marca. Na entrega do prêmio estiveram presentes o primeiro ministro da Finlândia (Matti Vanhanen) e o Diretor Executivo da Rapala (Jorma Kasslin).

Mas agora que já sabemos que ter as iscas Rapalas em nossa caixa de pesca já representa meio caminho andado para obtermos sucesso com os peixes, como fazermos para homologar um recorde caso isso aconteça?

Como homologar um recorde junto à IGFA

O primeiro passo para um pescador tentar superar uma marca é levar para a pescaria uma lista de recordes dos peixes que poderão estar presentes na região na qual irá pescar, além de uma trena e uma balança aferida.

Existem modelos portáteis, aprovados pela própria IGFA, como o Boga Grip, ou os modelos de balança portáteis da própria Rapala, que são alicates de contenção com balanças. No Brasil, quem qualifica as balanças de mercado, açougues e correios é o Inmetro que, no entanto, não costuma aferir dinamômetros, ou seja, as balanças de molas como os Boga Grips e similares.

Ao quebrar um recorde, se o pescador tiver uma balança qualificada na embarcação, poderá soltar o peixe, após tirar fotos dos procedimentos de pesagem e medição. Caso contrário, a sugestão é levá-lo ao continente, sem limpá-lo, e pesá-lo em uma balança que ainda esteja dentro do prazo de validade. Então, terá de registrar fotos do peixe na balança, da aferição da balança usada e, se possível, do peixe, balança e placa de aferição do Inmetro (no caso brasileiro).

A seqüência de fotos é muito importante para o processo de homologação. Além das fotos do peixe na balança, é preciso imagens do pescador com o peixe, do material de pesca usado na captura e da medição da espécie em três posições: ponta da cauda até a ponta da boca, ponta da boca até a forquilha interna da cauda (se o peixe tiver cauda neste formato) e circunferência próxima à barbatana dorsal. O material fotográfico será incorporado à ficha preenchida com os dados de pesagem e medição, nomes de testemunhas, tempo de briga e outras informações.

O formulário, que se encontra no site da IGFA (http://www.igfa.org/PDF/IGFA_Record_Application_2011.pdf) deve ser enviado a um representante da IGFA, responsável pelo encaminhamento do pedido de homologação. Para a homologação é preciso pagar uma taxa: para os membros da IGFA, um recorde sancionado custa US$ 40.00; para pescador não-associado a taxa é de US$ 65.00 (sempre em cartão de crédito internacional).

O pescador pode se tornar membro da IGFA ao registrar um recorde, sendo este o procedimento mais correto e mais barato. Nesse caso, o pescador paga os US$ 40,00 anuais mais os US$ 40,00 do recorde (caso seja aceito) e passa a receber da IGFA informativos, patches, adesivos e um livro de Recordes com 400 páginas (World Record Game Fishes), que reúne artigos, formulários, curiosidades e lista de todas as marcas do mundo.

Para mais detalhes, contate a IGFA no endereço www.igfa.org ou os representantes Ian-Arthur e Ezequiel pelos e-mails ian@kaluapesca.com.br ou Ezequiel@kaluapesca.com.br que, como representantes oficiais da IGFA no Brasil, podem encaminhar os pedidos de homologação e a documentação necessária, além de esclarecer dúvidas e sugerir sites de balanças aferíveis.

Algumas curiosidades ligadas à IGFA e suas pesquisas

  • O maior peixe registrado como recorde já capturado com vara e carretilha/molinete foi um tubarão branco capturado na Austrália em 1959 com 1.208,380 quilos, ou seja, mais de uma tonelada e duzentas.
  • O desperdício de peixes (fauna acompanhante na pesca comercial) nos 27 maiores pontos de pesca dos EUA corresponde a se deixar de fazer 7 bilhões de sanduíches de filé de pescado. Cada meio quilo de camarão pescado no Golfo do México equivale a quase dois quilos e meio de peixes jogados fora.
  • No Pacífico é estimada a morte de 3,3 milhões de tubarões a cada ano pela pesca comercial.
  • Em 2004 eram estimados 25 milhões de pescadores amadores na Europa inteira.
  • Em 2005, 16 % da população americana acima de 16 anos pesca esportivamente. Isso representa aproximadamente 34 milhões de pessoas. Pescam em média 16 dias por ano. Eles gastam em torno de US$ 1.046,00 pescador/ano em despesas relativas à pesca esportiva.
  • Em 2001 nos EUA, 1,2 milhões de pessoas eram empregadas no mercado de pesca amadora enquanto apenas 170 mil pessoas eram empregadas pela pesca comercial. Enquanto isso, os danos ambientais são diametralmente opostos. Dados de 1997 estimam que quase 5 bilhões de quilos de peixes foram mortos pela pesca comercial enquanto apenas 120 milhões de quilos de peixes foram levados para casa pelos pescadores amadores.
  • O valor econômico do peixe Bonefish, enquanto ainda vivo, no estado da Flórida, chega a US$ 3.255 por ano cada. É quanto vale cada um destes esportivos peixes para a pesca esportiva. Quanto será que ele valeria morto na peixaria? Será que nosso tucunaré também não tem um valor econômico como esse ou até maior?
  •  O peixe mais venenoso do mundo é o peixe pedra (stonefish).
  • A quantidade de atuns pescada ao redor do mundo no começo dos anos 50 era de 500 mil toneladas. Em 2001 este número era de 3,7 milhões de toneladas. Será que dá tempo de eles ainda crescerem ou já os mata antes? Parece o caso de nosso Pantanal.
  • A profissão mais perigosa nos EUA é a de pescador comercial (provavelmente a do pescador de caranguejos no Alaska). O Esporte mais perigoso nos EUA é o basquete enquanto a pesca esportiva está na décima quinta posição.
  • O número estimado de anzóis de “long lines” (espinhéis de água salgada) de pesca comercial iscados por ano ao redor do mundo chega a 2 bilhões (dado de 2003). A cada 24 horas a pesca comercial coloca 100 mil milhas destes espinhéis nas águas dos oceanos.
  • A IGFA mantém mais de 24 mil membros ao redor do mundo, e mais de 6.700 recordes registrados.
  • O percentual de Striped Bass (peixe da capa de nossa edição número 108) devolvido com vida à água nos EUA  no ano de 200 representava 91 %.
  • Em 2004 foram descobertos ao redor do mundo mais 178 novas espécies de peixes.
  • O Atum Azul pode variar a temperatura de seu corpo dos 17 aos 33 graus Celsius (poucos peixes são capazes disso na medida em que a maioria não é capaz de regular a sua temperatura corpórea). Isso faz dele um peixe capaz de suportar enormes variações de temperatura e circular ao redor do mundo inteiro, em todos os oceanos, o que também faz com quer seja caçado em todos os locais do planeta.
  • O menor peixe do mundo chega a até 2 cm e chama-se goby. Existem cerca de 27 mil espécies ao redor do planeta.
  • É impossível reconstituir um estoque pesqueiro enquanto ele ainda estiver sendo pescado em demasia. Mesmo nos EUA, estoques em fase de planejamento de reconstituição continuaram sendo sobrepescados enquanto isso. Ou seja, só com moratória de pesca é capaz de se repor o que foi destruído.

 

OBS.: infelizmente o Brasil não dispõe de verbas para pesquisas no capo da Pesca Amadora e por conta disso não temos informações sobre valores e estoques de nossa economia tais quais pudemos observar acima. Contamos apenas com suposições…

Texto e Fotos: Ian-Arthur de Sulocki – Representante IGFA no Brasil e usuário confesso da Rapala há anos!

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